quinta-feira, 24 de maio de 2018

Quando eu me calo



Quando eu me calo
Onde fica a minha voz?
Como fica a minha vez?
Qual será o meu caminho?

Quando eu me calo
A voz sufoco
O riso abafo
A dor reprimo

Quando eu me calo
Aceito, sem jeito
Não parto pra luta
Esqueço os direitos

Quando eu me calo
Falo, não verbalizo
Vejo, não percebo
Ouço, não escuto

E assim, sou mais um 
De povo sem voz
Numa terra de ninguém
Num país sem nação.


Maria Cristiane Gomes
maio/2018
Sobral/Ceará

P.s: Imagem google




quarta-feira, 23 de maio de 2018

A contradição do sistema educacional



Estamos diante de um mundo cada vez mais tecnológico, de um mercado trabalho cada vez mais exigente onde são necessárias a cada dia novas e mais refinadas competências profissionais e com essas questões já temos um bom pano de fundo para repensar o contrate do ensino público no Brasil.
De que maneira os professores estão sendo preparados para ensinar diante dessas novas demandas?
As escolas de nível fundamental e médio estão acompanhando essas mudanças?
As condições em salas de aulas: sejam elas no Norte do estado do Amazonas ou do estado do Rio Grande do Sul estão favoráveis aos alunos e professores?
Sabemos que a realidade do ensino Público no Brasil é  bem diferente, visto que as condições para o desenvolvimento do ensino não é garantida, pois é muito comum o relato de professores sobre salas superlotadas, a falta de materiais pedagógicos que possam contribuir para o fortalecimento da ação pedagógica com vistas à proporcionar o desenvolvimento de aprendizagens e isso sem falar, em infraestrutura e aspectos financeiros tanto para a manutenção da própria instituição, quanto ao pagamento descente aos docentes.
Estar na educação não é uma tarefa fácil, sem dúvida, é preciso e necessário, haver uma crença no trabalho que se estar fazendo, acima de tudo é acreditar em mudança de cenários e que ao exercer essa função do 'SER PROFESSOR',  o profissional está a suscitar grandes discussões sobre a importância da cidadania e valores como justiça, equidade, moralidade, dentre outros.
Desta forma, podemos perceber que o docente que compreende a sua importância, ver-se  diante de cenário contraditório, vejamos algumas ilustrações;
1. Todas as políticas educacionais são pensadas em perfis ideais de alunos. Mas como aplicar e desenvolver tais propostas, se as demandas de uma única sala de aula é muito diversificada? E quais são as outras opções para quem não consegue atingir os perfis mínimos? Que condições estão sendo oferecidas às escolas e , principalmente, aos professores em termos de fortalecimento da ação pedagógica?
2.  Qual o apoio psicológico estão recebendo os professores e adolescentes? Constatamos quase que diariamente, situações de agressões entre alunos e muitas vezes professores e outros profissionais da educação sendo agredidos por alunos dentro das instituições de ensino onde trabalham.
3. O que dizem os dados educacionais  sobre os alunos que são acompanhados pelos diversos programas sociais? Em que medida esses programas estão contribuindo para os aspectos de aprendizagem desta criança na escola, teria isso alguma relevância ou não do ponto de vista político?
4. Como é feito o trabalho com a parte das atividades físicas nas escolas? Há uma estrutura adequada para a prática de esportes, além disso, há materiais para que os educadores físicos possam desenvolver seu trabalho?
5. E quando pensamos em artes, nas diversas expressões, sejam  plásticas, músicas, danças e outras linguagens, quais são os profissionais que ministram essas disciplinas? São formados em artes, ou apenas recebem a disciplina como complemento de carga horária? E quais as condições materiais que dispõem esses profissionais para o desenvolvimento do trabalho? Há pinceis, tintas, espaço, instrumentos musicais, etc?   
5. Sabemos que a política que se define os currículos no Brasil, acompanha um tendência determinada por aspectos aspectos sociais e econômicos, ou seja uma política de mercado.E então, podemos refletir: até que ponto mesmo a classe dominante deseja promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes oriundas de camadas mais baixas da sociedade?  Há um preocupação real ou apenas um discurso vazio, destituído de compromisso político?
E quando se ouve o discurso de uma sociedade mais justa e equilibrada, de pessoas desenvolvidas em aspectos socio-emocionais  e habilidades para o mercado de trabalho, isso vale realmente para todos?
Estes foram apenas alguns aspectos da contradição do ensino...
Parece-nos muito contraditório pensar num ensino onde este está voltado para algumas parcelas da sociedade, sem preocupar-se de fato com o desenvolvimento das aprendizagem reais, parece-nos muito hipócrita pensar em oferecer educação sem garantir as condições mínimas para que ela de fato se desenvolva.             
  Diante, de tais situações, é preciso repensar a Educação pública  Brasil  com vistas à garantir o desenvolvimento  real da pessoas em sentido integral, onde estas crianças e adolescentes ao concluírem a educação básica, possam compreender-se com cidadão ativo, reflexivo e construtor e realidades, tornando-se protagonista de sua própria vida, produtivo, instruído, compreendendo a importância do ensino para o seu desenvolvimento e de seu próprio país.



Maria Cristiane Gomes
maio/2018
Sobral/ceará

P.s: imagem google

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Adolescência


O desafio de trabalhar com adolescentes


    Certa vez, assistindo a um desenho infantil Peppa  Pig, um episódio no qual Papai Pig se preparava para disputar uma competição de pular uma poça. Ele falou " Se quer conhecer uma poça, pense como uma poça". Esse diálogo aparentemente infantil me reportou ao trabalho com  adolescentes.

    A adolescência caracteriza-se como um período, uma pausa, uma interrupção, uma criação das sociedades modernas  dada ao indivíduo em formação antes deste assumir as responsabilidades da vida adulta.

    Neste sentido, poderíamos pensá-la como um período de estágio, de experimentação, de descoberta do novo, um período de transição, de olhares mais próximos ao mundo adulto.
    
    Este período é marcado também pela explosão hormonal, pela manifestação e surgimento da características sexuais secundárias, por frequentes alterações de humor, despertar de outros interesses até então não percebidos, principalmente os voltados para as questões sexuais.
    
   Percebemos ainda que os adolescentes parecem estar mais  preocupados com a sua identidade,  além do despertar para as questões de aceitação ou não em  determinados grupos, o que deve ser acompanhado com atenção.   

   Atrelado a todo esse cenário temos as questões das novas constituições do seio familiar na atualidade, que já não dispõe das mesmas formações, que durante muito tempo foram modelos, em função é claro dessa transitoriedade das relações sociais.

   Neste novo cenário,muitos adolescentes já não são criados e educados pelos seus pais, mas por terceiros, avós, tios, etc. Tudo isso, tem alterado bastante o processo de formação de valores, os bons referenciais estão aos poucos se tornando precários na vida de muitos adolescentes.
  
    Diante deste contexto, temos a escola... e muitas indagações

    Como a escola tem se preparado para receber e atender estes alunos?
      O currículo da escola tem se apresentado de forma atraente, tem despertado o interesse desse público cada vez mais exigente, que estão sendo bombardeados de estímulos vindo das novas mídias?
    
     Como tornar este ambiente, um local de formação, de aquisição de conhecimento atrativo a este adolescente de forma que ele não se evada da escola e que estando nesta instituição de ensino, que ele aprenda, que ele seja desafiado, instigado ao aprendizado?       
    
     E que novidades, que conhecimentos estamos apresentando, propondo no dia a dia das escolas públicas que atendem adolescentes em todo o país?  

    É inegável que está mais desafiador atender adolescentes.
    No entanto, é necessário conhecer esse público, descobrir os seus focos de interesse, sua história de vida, seus dilemas, suas angústias, entender as suas linhas de raciocínio para a partir daí temos pontos de partida para nos auxiliar no desenvolvimento das habilidades necessárias à formação dos adolescentes.   
   

    Bom, por outro lado essa diversidade coexistindo no mesmo espaço, se bem conhecido, constituirá numa fonte inesgotável de novas inquietações, da construção de novos significados, na reconstrução de novos saberes que serão desencadeados através da interação e do conhecimento, formando uma teia de novos aprendizados despertado pelo surgimento de nova descobertas.    

          
Maria Cristiane Gomes
Sobral/Ceará
abril/2017






P.S: imagem de http://www.revistaforum.com.br/2015/09/01/adolescencia-e-feminismo-a-luta-pela-autonomia-2/

terça-feira, 11 de abril de 2017

Formando pontes, construindo elos




Se nos olharmos sem reservas, perceberemos o quanto poderemos construir, realizar grandes feitos, pois cada um de nós possui um conjunto de características ímpares e singulares que são externadas através de nossas habilidades e competências: “nossos talentos”. Sendo que, alguns destes, são verdadeiros dons divinos, outros foram aperfeiçoados através de técnicas e também, há aqueles especiais, que aprendemos e desenvolvemos na interação com o outro.
Quando vejo os arranha-céus dos grandes centros urbanos, aqueles prédios imponentes... Logo, concluo que são bons exemplos da reunião de diferentes talentos, pois para construir um prédio daquele tipo, torna-se necessário desde um bom projeto, idealizado por alguém, até a formação de uma boa equipe com diversos profissionais.
Contudo, para que tenham sucesso e consigam transformar um projeto em algo concreto, precisam interagir, precisam ter conhecimento, conversar, concordar e divergir até chegarem ao consenso, identificar os eventuais problemas, propor soluções e resolvê-los. Torna-se necessário aprender a trabalhar juntos, precisam estar JUNTOS. Por fim, necessitam constituíssem como EQUIPE.
No processo de interação com as pessoas, trocamos idéias, percebemo-nos semelhantes e também muito diferentes. Nessa ação de percepção de sentidos, identificamos e revelamos novos talentos, descobrimos novas habilidades, ensinamos e principalmente, aprendemos com outras pessoas. Desta forma, estabelecemos novas conexões,  formamos teias de conhecimentos, constituímo-nos como pontes fortes e resistentes formados de elos permanentes.
Onde quer que estejamos, independentes da função que venhamos a desempenhar, não podemos esquecer que cada um de nós somos pontes. Juntos, poderemos integrar e fortalecer outras pontes. Juntos, poderemos contribuir para a formação e o despertar de pessoas mais conscientes da sua importância, para que possamos ser pessoas melhores a cada dia.


Desejo a todos que visitam eventualmente ou com frequência este blog UM FELIZ 2013!!!
Muito obrigada por sua atenção 

Maria Cristiane Gomes
Sobral/Ceará
Janeiro/2013


(texto postado no blog http://paginadepoesia.blogspot.com.br)

sábado, 27 de agosto de 2016

O desafio da integração das diversas áreas do conhecimento


A integração das disciplinas na construção do conhecimento 



         Não cabe no ensino de hoje muitas práticas que nos foram ensinadas no passado... Poderíamos ficar relembrando por horas destas estratégias, contudo esse não é o nosso assunto principal.
        Quero compartilhar um pouco da angustia que sinto ao perceber e constatar a dificuldade de muitos professores ao ministrar a sua disciplina de forma fragmentada, certamente uma herança bem antiga, cartesiana. 
         Infelizmente, ainda é comum ouvir os seguintes relatos  de professores: " Não, o meu ensino é só o Português, não tenho nada a ver com as Ciências e vice-versa. Essa visão e postura tem nos roubado a oportunidade de tornar o ensino uma prática menos desgastante e ao aluno, estamos podando a sua capacidade de crescer, de amadurecer, de darmos uma contribuição mais eficaz na sua formação. 

        Sou de uma época não tão recente, memorizei muita tabuada, fiz muitas cópias, memorizei muitos questionários para avaliações, e coisas afins.
       Mas, em tempos mais recentes, tive contato com outros mestres que tornaram para mim apaixonante o ofício de ENSINAR através do ensino, por meio dos seu questionamentos, das suas indagações, ao me apresentarem situações-problemas, ao me mostrarem as relações entre as  disciplinas.
           Tive uma professora que desenvolveu um projeto, não me lembro mais do tema, mas sei que envolvia o trabalho com o gênero textual receita, o cálculo de calorias por alimento, a escolha de alimentos saudáveis, pesquisas entre os alimentos mais consumidos por nossos avós e os de nossa preferência  atualmente.     
           Bom, esse é apenas um pequeno recorte que mostra que é possível fazer e que há ainda um grande caminho a ser percorrido.
           Espero que essa nossa conversa possa despertar curiosidade e fome de ir em busca e caminhar muito mais, descobrindo novas habilidades na sua jornada de ensinar e APRENDER.    



Maria Cristiane Gomes
Agosto /2016
Sobral/Ceará

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Sugestão de leitura da semana



Divulgação do Projeto # compartilhando leitura.

                    O projeto #compartilhando leitura consiste numa ação estratégica de incentivo à leitura.                     Semanalmente ocorre rodízios de livros nas salas durante as aulas de língua portuguesa, incluindo atividades de reconto numa ação de compartilhamento e indicação de leituras.    


Maria Cristiane Gomes
Sobral-ceará
maio/2016